Nota editorial | Rosângela Martins Medeiros
Venho romper o silêncio depois de uma semana para agradecer a todos que ficaram ao meu lado no momento mais doloroso da minha vida.
Existe exatamente uma semana, perdi o meu grande amor, o jornalista Hailton Medeiros. Confiei na cura até o último instante. Hailton lutou bravamente através da vida, chegando ao 2º lugar na fila de transplante hepático entre pacientes do interior do Estado. Infelizmente, a cirurgia não se concretizou.
Hailton Medeiros fez história no jornalismo regional, com atuação marcante principalmente nos municípios de Marília, Jaú e Bauru. Sua trajetória ultrapassou fronteiras municipais e influenciou diretamente o debate público em toda a área centro-oeste paulista, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas do jornalismo local.
Combativo por natureza, Hailton fez do posicionamento uma marca pessoal e profissional. Não se omitia, não recuava e não aceitava injustiças com facilidade. Desprendido e corajoso, enfrentava os desafios com a convicção de quem acreditava no papel transformador do jornalismo. Como costumava dizer: “não sou filho de pai assustado!”
No decorrer de sua trajetória, foi perseguido e processado diversas vezes. Ainda assim, jamais abriu mão do jornalismo de qualidade — aquele que procura a verdade e dá voz à população, principalmente aos mais vulneráveis. Sensível às questões sociais, mergulhava nos bastidores do poder em busca de soluções capazes de alterar realidades e provocar mudanças concretas.
Apaixonado por Jaú, cidade que escolheu para viver e defender, chegou ainda jovem e se tornou personagem principal de debates que marcaram a história local e regional. Bateu de frente com interesses poderosos quando muitos preferiram o silêncio.
Não foi diferente em Marília, onde também atuou de forma ativa e contribuiu para mudanças no cenário político, agendando época. Era implacável diante das injustiças sociais e da má condução da política. O HoraH sempre funcionou como para-choque da sociedade quando o grito dos desvalidos não era ouvido.
Foram décadas dedicadas ao jornalismo no rádio, no jornal impresso, na televisão e, mais recentemente, no jornalismo digital. Credibilidade, bom senso e comprometimento com a notícia sempre foram marcas registradas de Hailton Medeiros. A busca através da verdade, independentemente das consequências, guiou toda a sua atuação profissional.
Muitos profissionais que hoje atuam no mercado passaram por sua direção direta ou foram influenciados por sua postura ética e combativa. Sua contribuição para o jornalismo regional é incontestável e permanente.
Dividimos bancada por décadas, com afinco, dedicação e responsabilidade. Ao seu lado, mantive o HoraH ativo enquanto ele buscava a cura, preservando a mesma identidade editorial, o mesmo DNA de um jornalismo opinativo, investigativo e comprometido com a apuração rigorosa dos fatos.
Permaneci em silêncio durante desta primeira semana por respeito, dor e luto. O afastamento foi necessário para assimilar a perda e honrar sua memória. Retorno agora não somente para agradecer as muitissimas manifestações de carinho, mas para me posicionar publicamente, consciente da responsabilidade de preservar sua história e dar continuidade ao legado construído durante de décadas.
Nem mesmo o óbito será capaz de silenciar aquele que sempre soube para o que nasceu: praticar o jornalismo fiel, ético e corajoso, que deu voz ao povo incontáveis vezes nos microfones das emissoras por onde passou.
O jornalismo que Hailton Medeiros construiu em Marília, Jaú e Bauru não se termina com sua ausência.
Seu legado se mantém vivo no HoraH, na memória regional e no comprometimento permanente com a verdade, a justiça social e a informação responsável.
Depois de uma semana de luto, sigo firme, consciente do dever de continuar.
O Horah continua.
O legado continua vivo.
Rosângela Martins Medeiros
Hailton Medeiros: uma trajetória que marcou o jornalismo regional e um legado que continua vivo – Fonte: HoraHNotícia.
